15 de novembro de 2017

Resenha | ABC do amor

Abc do amor é uma antologia de contos cheios de, sendo repetitiva, amor. E eu amo livros nesse estilo, acho que são leituras rapidinhas e muito gostosas de se fazer. E eu não estava enganada quanto a isso.

A. C. Meyer

Cada conto teve sua particularidade. O primeiro por exemplo foi uma história com personagens maduros, que namoraram jovens e por pouco tempo, mas tiveram um sentimento tão poderoso e puro um pelo outro que nem a distância os deixou esquecer disso, e a saudade foi a base de preservação desse sentimento. E após alguns anos, os dois bem sucedidos e realizando seus maiores sonhos, eles se reencontram, e parece que nada mudou.

Gosto muito de romances, clichês, e até gostei do primeiro conto no começo. Porém, a história não teve nenhuma reviravolta. Seguiu uma linda de tranquilidade do começo ao fim, sem me dar nenhuma emoção além daquela breve ansiedade de começo de relacionamento, que logo passou. E de certa forma isso foi bom, é bem difícil encontrar histórias só com coisas boas. Mas fazer essa aposta tem seu lado ruim, é um grande risco pro autor, pois os leitores podem sentir falta de emoção ao ler, que foi o que eu senti. Outra coisa que senti foi amadorismo na escrita, algo que também senti quando li outro livro da autora. Mas, apesar de tudo, essa história foi apaixonante.
Brittainy C. Cherry

Essa foi minha primeira leitura da autora e eu meio que já tinha sido avisada que iria amar a escrita dela, e assim aconteceu. Nessa segunda história, Jake, agora um ator famoso, volta para sua cidade natal para um casamento, o da sua ex namorada, pela qual ainda está muito apaixonado. A cidade inteira o odeia pelo que ele fez com ela. Porém Ana, quando o vê, fica incerta dos seus sentimentos quanto ao casamento. Será que a cidade está o julgando corretamente?

O segundo conto foi exatamente o que se espera de um bom clichê, com muita emoção, bem escrito, cheio de amor, reviravoltas, um casal com muita química, daqueles que tudo que a gente quer é que eles fiquem juntos logo. Me apaixonei mesmo, muito! Enquanto eu lia, conseguia visualizar todas as cenas na minha cabeça, e sentir tudo que os personagens sentiam. Me instigou, me fez shippar o casal, amei muito.
Camila Moreira

Alice estava tendo o pior dia da vida dela. Foi demitida, descobriu a traição do noivo e pegou o pior tema pro trabalho final da faculdade. Leandro. Um artista famoso que odeia imprensa, entrevistas, muito temperamental e... lindo. A atração entre os dois é nítida, mas Leandro esconde alguma coisa, algo importante o bastante para que o faça mudar de humor constantemente e ser um chato o tempo todo.

Essa história mexeu muito com os meus sentimentos. Comecei a ler com receio, pois uma amiga havia me contado que não tinha curtido muito a história, mas quanto mais eu lia mais gostava. É claro que ela teve seus problemas, como aquela sensação de amadorismo que o primeiro conto me passou. As vezes parecia que a autora estava correndo com a história, dando a impressão de coisas mal trabalhadas. Porém, amei os personagens. Adoro quando tem um bad boy misterioso, mau humorado, fechado, e a mocinha tem que mover o mundo para ele deixar ela entrar, mas na verdade ele é um amor de pessoa, só tem problemas mal resolvidos e se deixa afetar. Mas ele tinha problemas reais para ter a personalidade bipolar que tem, e eu compreendi isso, e o amei por isso. Gostei demais

★  ★  

No geral, é um livro pra aquecer o coração, pra ler numa tarde de domingo acompanhada de uma bebida doce, pra passar o tempo da melhor forma possível.

Autoras: A. C. Meyer, Brittainy C. Cherry, Camila Moreira
Editora: Galera Record
Onde comprar: Amazon | Saraiva


13 de novembro de 2017

Teste: tipo de leitor

Acabo de responder um teste que vi no site da tag - experiências literárias que me diria, ao final das questões, que tipo de leitora eu sou. Isso me deu inspiração para escrever um pouco sobre isso, comentar essa teste com as minhas experiências e falar, depois de tudo, sobre o tipo de leitora que eu sou. 

★ Quando um personagem que você adora morre, o que você faz?
Dentre todas as opções eu escolhi corro para conversar com alguém. Normalmente fico desesperada, minha boca cai no chão, dou um berro ou só olho pro nada e minha mente fica em branco. Essa é a reação inicial. Depois disso eu fico com tanto sentimento dentro de mim que desabafar com alguém é mais que necessário. Sempre falo tudo de todos os livros que leio para o meu marido ~ que não gosta de ler ~. E o coitado tem que aguentar meus surtos. Mas sempre me escuta, e as vezes ri de mim (de um jeito fofo) quando eu choro as mortes dos personagens.

★ Quando acontece uma reviravolta chocante na história que você está lendo, qual sua reação?
Eu poderia escolher a opção chocado, mas fico mesmo é desesperada. Não consigo ficar calma de nenhuma maneira. Com alguns livros de Trono de Vidro, especificamente com Império de Tempestades, houveram momentos que eu precisava parar a leitura por alguns momentos de tanto nervosismo. E esse foi um livro de muitas reviravoltas, muitas mesmo. Lembro que em uma determinada cena eu fiquei tão impactada com o que tinha que acontecido que caí de joelhos no chão, depois coloquei a cabeça também no chão e comecei a chorar. Talvez essa reação tenha sido mérito da história desse livro maravilhoso, mas normalmente sempre solto um "meu deus do céu", ou uns gritos básicos, seguidos de uns pulos quando a coisa na história é boa. Mas sempre, sempre solto umas expressões em voz alta, e um monte de palavrão também.

★ Você espera que os livros que lê te façam...
Sentir! Gosto que eles me façam pensar também, adoro leituras mais reflexivas, que mexam com a minha cabeça, que me faça melhorar como pessoa, abrir minha mente. Mas leio mesmo pra sentir, pra viajar para outros países, mundos, universos, me apaixonar por personagens, sofrer com eles, ficar feliz com eles, me sentir como eles, poderosos, mágicos. Eu amo isso, amo muito.
★ Agora, queremos saber sua opinião sobre um assunto polêmico: spoilers!
Escolhi a opção saio correndo só de ouvir essa palavra porque não havia a opção só me dê spoiler se eu pedir. Eu me incomodo com spoilers não solicitados, principalmente quando as pessoas fazem por maldade. Mas se eu te pedi um determinado spoiler pode me dar sem medo. Já fiz isso quando estava lendo A Seleção. Estava tão pilhada pra saber com quem a America ia ficar que tive que pedir, e depois disso minha leitura ficou muito mais prazerosa, sem mais o nervosismo que me incomodava. Era muito forte, juro, não consigo nem explicar o que sentia. Melhor coisa foi ter pedido spoiler nesse caso. Mas gosto de ser surpreendida, então fico nesse meio termo da resposta. 

★ O que você faz sempre que entra em uma livraria?
Fico babando pelas capas de livros bonitas. Sempre percorro toda a livraria, olhando as capas, sinopses, preços. Nunca peço indicação a vendedores porque já tenho uma lista enorme de livros pra comprar, e também quase nunca compro na livraria porque sai bem mais caro do que comprar na internet. Quando tenho tempo eu escolho um livro e leio o primeiro capítulo, vou em todas as seções que me agradam, e se compro alguma coisa sempre peço marcadores.

★ Pra você, a melhor parte da leitura é a possibilidade de...
Conhecer outras realidades. Como eu falei ali em cima, gosto de sentir, e conhecer outras realidades faz parte disso. Sempre que entro em um universo novo algumas coisas acontecem, como sonhar com esse universo, com os personagens, com cenas específicas dos livros. Acho que por isso que amo tanto ler fantasias, porque quando relaxo a noite e sonho, eu viajo nesses lugares, e quando acordo tenho a sensação de ter vivido aquilo. Só esse sentimento já faz valer a pena tudo que eu gasto para comprar meus livrinhos.

E o resultado do teste deu algo que eu já desconfiava, que sou uma leitora emotiva. Acho que esse texto do resultado me definiu tão bem que nem eu mesma conseguiria falar de mim assim. 
Alegria, tristeza, raiva, nervosismo... Esses e outros sentimentos são seus velhos conhecidos sempre que você tem um livro em mãos. Por se envolver tanto com as histórias e com os personagens, os livros são seus melhores amigos.
Talvez isso seja uma tag? Talvez. Pela semelhança, queria convidar algumas pessoas para comentar esse teste e seus respectivos resultados.





8 de novembro de 2017

Resenha | Belinda e Em

Emily é co-presidente do grupo de Ação Jovem da escola. Ela sempre participa de campanhas beneficentes que incentivam os jovens a agir. Porém, quando ela menos espera, essa ação que ela tanto prega na escola é exigida dela e ela não faz nada. Emily presencia um "ataque" a uma garota com necessidades especiais, e infelizmente ela entra em pânico e foge da situação sem alertar ninguém. 

Lucas joga futebol americano na escola, e durante o intervalo do jogo, viu o ataque (o livro se refere assim ao que aconteceu, mas não é um ataque no sentido literal da palavra, é mais uma maneira menos brutal de falar do que houve), mas também entrou em pânico e não fez nada. 

Agora os dois têm que cumprir algumas horas de uma aula chamada Limites e Relacionamentos para jovens adultos com dificuldades de desenvolvimento no Centro de Aprendizado para a Vida, como "punição" pela sua negligência à Belinda, para que eles se relacionem com mais pessoas com deficiência e se tornem mais empáticos. 

opinião


Essa história é muito fofa. Senti tanta coisa enquanto lia. A autora fez o seu trabalho certinho, não focou completamente no romance e conseguiu passar uma mensagem incrível sem deixar a história clichê. Aprendi muita coisa com esse livro, fiquei encantada com todos os detalhes.

O maior ensinamento do livro é a empatia. Temos o grande costume de julgar as pessoas  ou até sentir pena antes de sermos empáticos. Ela transmitiu tudo isso de uma forma excepcional. 
Primeiro, ela pegou a Emily e a fez julgar o Lucas. Isso é bem fácil e comum, é claro que ele é um jogador de futebol burro que não pensa em nada, que não se importa com nada. Será? Depois ela coloca a Belinda narrando, e a própria Belinda julga seus colegas de classe, e se acha melhor e mais inteligente que eles. E só então, ela faz a escola julgar Belinda, sentir pena dela, porque ela é deficiente, é claro que ela é motivo de pena. Certo?

Não. Cada uma dessas pessoas tem personalidade, sonhos, bondade. Quanto mais cada um deles vai se conhecendo, mais vão entendendo suas próprias necessidades e as dos outros. E isso é tão, tão lindo de se presenciar. Ver os personagens se relacionando, se importando, entendendo a si próprio, lidando com os problemas. É maravilhoso. E a Belinda, mesmo com todos os seus medos e ataques de pânico, é um grande exemplo de força, de coragem, inspiração. Ela é incrível. Essa história inteira é.  


6 de novembro de 2017

Chegou por aqui: Outubro

Esse post está quase se tornando uma retrospectiva do mês. Sempre quero começar falando o quanto o mês foi bom ou ruim, e falar do que aconteceu. Me deixem saber se querem isso, mas por hora vou tentar falar apenas do que chegou por aqui.

Recebi três livros incríveis, mas um deles não vai aparecer nesse post pois já ganhou uma nova dona e eu esqueci de fotografá-lo antes dele sair da estante. Também recebi duas cartas do projeto de Halloween Penpals. Não chegaram todas ainda, essas provavelmente vão aparecer no post do próximo mês.
O primeiro que chegou foi Kindred - Laços de Sangue, e eu já li porque não me aguentei de curiosidade (e em breve teremos resenha dele aqui). A edição me conquistou no primeiro contato e junto a sinopse foi impossível não querer começar a ler na mesma hora. O livro foi publicado pela primeira vez em 1979 e demorou todos esses anos para chegar ao Brasil. Ele é de capa dura e tem alguns extras no final, é uma edição muito linda, feita com muito capricho. Por esse motivo é um pouco mais cara que o habitual. Mas a editora também lançou uma versão em brochura, para que as pessoas pudessem ter acesso a essa história tão incrível sem ser necessário pagar caro por ela.

O livro sem foto que citei no começo é Criaturas e Criadores, um livro com quatro contos de terror escrito por autores nacionais. Ele está numa edição muito bonita, também de capa dura e bem chamativa, nas cores lilás e a fonte dourada na capa e na lombada. Há detalhes visuais no início de cada um dos contos. Todo o livro tem um ar de antigo, daqueles que você encontra escondido e bem empoeirado no canto de uma biblioteca enorme. Fiquei bem ansiosa para conhecer a história, mas confesso que não tão ansiosa assim pela da Carolina Munhoz. Como vocês sabem, não tive uma boa experiência com o livro dela e agora fico com receio de ler outras coisas da autora.
O último é a antologia Vilões, que foi enviado pela Simone do blog Dragões Encaixotados, que tem um conto publicado no livro. Nele, vamos conhecer a história dos vilões, talvez até descobrir o que os tornaram vilões. Eu já li a história da Simone e posso dizer que está incrível. Trarei uma resenha aqui no blog assim que eu finalizar o livro.

Como eu disse, participei pela primeira vez de um projeto de cartas de halloween, até mostrei um pouco das que enviei nesse post. Agora chegou a vez de mostrar um pouco das que chegaram pra mim.
Recebi cartas da Luana e da Gabrielly. As duas estão incrivelmente fofas. A Gabi escreveu uma carta linda pra mim, associando todas as coisas que mais gosto, me fazendo esquecer dos meus medos e me enviando um amuleto mágico para me proteger. Muito amor mesmo. Já a Luh me mandou uma carta maravilhosa escrita na máquina de escrever dela e algumas coisas que são a cara dela, como chá e baralho, como esperado da Rainha Vermelha.

Foi minha primeira vez trocando cartas e eu amei a experiência. Mal posso esperar pelas próximas que tem para chegar.


1 de novembro de 2017

Resenha | Todos os pássaros no céu

Sabe quando você pega um livro e só consegue sentir? Isso tem acontecido bastante recentemente. Sendo bem sincera, tem ocorrido principalmente com os lançamentos da Editora Morro Branco, que a cada publicação me conquista mais e mais, e já se tornou minha editora preferida. Basta ver o cuidado que eles tem com os livros. Em selecionar a melhor história, em se importar em lançar uma edição lindíssima, diagramação perfeita, e uma revisão incrível. Ok, depois de desabafar, vamos falar da história.
Patrícia é uma bruxa e consegue falar com os animais. Laurence é muito inteligente, construiu uma máquina do tempo de dois segundos quando criança. Foi na adolescência que os dois se conheceram e criaram um laço de amizade que incluía apoiar um ao outro quando eram alvos de brincadeiras malvadas na escola, ou quando os pais de Laurence cismavam que ele precisava passar mais tempo na natureza. 

Então eles são separados por acontecimentos muito loucos da vida pessoal de cada um, e eles vivem sua vida, até que um dia, já adultos, se reencontram em São Francisco. Aos poucos tentam superar a estranheza da amizade que tiveram durante a infância. Logo passam a perceber que, apesar de estarem estabelecidos, vivendo os seus sonhos e fazendo o que queriam, não existem pessoas em seus círculos sociais que os entendam como um entende um outro, e logo a amizade mais estranha do mundo volta a existir.
Mas não pensem que isso é um clichê, que essa amizade é um clichê, que é escrito de forma clichê. Passa MUITO longe disso. Na verdade, pode até ser clichê, mas pelo contexto da história e pela escrita da autora nós não ficamos com essa impressão. Até porque ele é um cientista e ela é uma bruxa, e a gente sabe que essas duas coisas normalmente não funcionam bem juntas. Cada um tem suas dificuldades, seus projetos, e digamos que isso é o catalisador do problema da história.

O livro é dividido em quatro. A infância dos personagens principais, que é absurdamente horrível, a adolescência, que chega a ser três vezes pior que a infância, a fase adulta, em que eles estão estabelecidos porém não felizes, e o apocalipse, que é spoiler se eu falar. A nossa atenção fica presa em todas as partes, e em nenhum momento a escrita se revela cansativa ou com detalhes demais. Na verdade é tudo muito direto, a autora vai ao ponto e ainda assim consegue nos deixar curiosos.
Quero ressaltar que a escrita da CJ Anders é absolutamente impecável. Ela fala de tudo com maestria, com sabedoria. Ela muda constantemente de perspectiva, e isso pode ser confuso no começo, mas logo você percebe que é maravilhoso. Ela construiu personagens tão reais, tão incríveis, tão inteligentes e importantes, e estranhos, mas tão gente como a gente. Não é nem surpresa que esse livro ganhou prêmios incríveis (Nebula Award, Locus Award, Crawford Awards e finalista do Hugo Awards) e esteve em listas como "um dos 5 melhores livros do ano" pela Time Magazine e "uma das melhores ficções científicas do ano" pela Amazon. Estou enaltecendo essa preciosidade nessa resenha porque essa história merece. Muito.

Como eu disse no começo, só consigo sentir, e preciso que vocês leiam para que possam sentir comigo. 

Autora: Charlie Jane Anders
Editora: Morro Branco
Onde comprar: Amazon | Saraiva


Adaptado por Isabelle Felicio

Tema Base por Butlariz